Conheça alguns de nossos principais designers
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SERGIO RODRIGUES

Foi ele que descontraiu a casa e a maneira de sentar, quebrando a rigidez do estilo pé palito e ao criar, em 1955, a Oca, mistura de loja, ateliê e galeria de arte. Na Praça General Osório, em Ipanema, o espaço tinha as luminárias Dominici, tecidos da artista plástica Fayga Ostrower, móveis da Forma e peças assinadas por ele, tornando-se o ponto de encontro dos intelectuais. Em 1957, para atender ao pedido do amigo, o fotógrafo Otto Stupakoff, criou a Poltrona Mole, um sofá para seu estúdio. O móvel ficou caro demais e encalhou na vitrine, mas ganhou o primeiro lugar no Concurso Internacional do Móvel em Cantú, na Itália. Com o nome de Sheriff, começou a ser produzida pela companhia Isa, de Bergamo, na Itália, e exportada para vários países. Hoje, Sergio Rodrigues tem a maioria de suas peças produzidas pela LinBrasil, de Curitiba. O design brasileiro cresceu com Sergio, que recentemente passou a ser representado na feira de Colônia e na de Milão pela ClassiCon. Para fazer o contraponto com a famosa Poltrona Mole, o designer criou, em 2002, a Diz. “Toda de madeira e tão confortável como uma poltrona mole”, explica Sergio, que recebeu por ela, em 2007, o prêmio do Museu da Casa Brasileira.

SERGIO FAHRER

A cada ano, Sergio Fahrer pesquisa uma tecnologia diferente para criar sua coleção. Em 2008, usou a fibra de carbono mista para desenvolver móveis leves e resistentes como as poltronas Slick e Glide, inspiradas na carroceria dos carros de corrida. Este ano, utilizou o alumínio de aviação para fazer cadeiras, poltronas e mesas. A habilidade em trabalhar um alumínio com 4 milímetros de espessura valeu a Sergio uma patente tecnológica no registro de desenhos do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), reconhecimento raro no Brasil. Camaleônico, revestido de madeira, tapeçaria ou pintado, o alumínio usado por Sergio impressiona pela leveza e versatilidade. “Em peças como a cadeira Nena, a forma delgada do alumínio pode ser reconhecida em meio à madeira”, observa o designer. A história de Sergio Fahrer começa com a música. Formado pelo Musician Institute of Technology em Los Angeles, partiu da construção de instrumentos musicais para o design de móveis. Suas cadeiras Slick e Glide, em fibra de carbono mista, foram expostas ano passado no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMa).

PEDRO MENDES

Pedro Mendes faz, em média, de duas a três peças por dia. Madeira, aço, acrílico, vidro e alumínio são as matérias-primas da sua criação, em que uma das estrelas é a mesa de jantar Graziela, um cubo torcido de madeira escultural sob o vidro, vendido com sucesso pela Way há nove anos. Pedro formou-se em desenho industrial pela Universidade Mackenzie e tem um ateliê em São Paulo. Para ele, design é uma questão de educação e cultura. “No Brasil, temos um nível bom, mas precisamos aumentar o público consumidor”, afirma Pedro, que promove em Gramado uma feira de móveis de alto padrão. Pedro sempre gostou de desenhar. Perfeccionista, atento aos detalhes, seus projetos impecáveis são feitos em 3D. Pedro Mendes tem seus ídolos. “Tem muita gente boa desconhecida do grande público, mas admiro Philippe Starck pela produção grande e diferenciada, que vai de hotéis a móveis. Gosto do desenho nórdico e do trabalho do holandês Johannes Hansen”, conta Pedro, que, no Brasil, é fã da arquitetura de Oscar Niemeyer e admira o trabalho de Sergio Fahrer.

FLÁVIO BORSATO E MAURÍCIO LAMOSA

Formas limpas , bordas superfinas e superfícies polidas em móveis capazes de chegar ao limite máximo da leveza são a marca registrada de Flávio Borsato e Maurício Lamosa, à frente do Estudiobola, premiado pelo Museu da Casa Brasileira em 2001 pelo sistema de painéis Flaxmann e, em 2006, pela prateleira Chaix. Colegas na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, fundaram o estúdio, cujo nome é resultado da união do início dos sobrenomes dos dois. O processo de criação da dupla começa na fábrica. “Partimos de uma indústria de metal que tenha uma ociosidade e uma necessidade fabril”, conta Flávio, que descobriu a vocação na fábrica de móveis do pai. Maurício é um apaixonado por design gráfico, daí a pureza e a aerodinâmica das linhas. “Nosso objetivo é deixar o móvel mais leve, por isso trabalhamos com chapas de madeira na fábrica Adresse, em São Bernardo do Campo”, define Flávio. Uma vez por ano, o Estudiobola lança nova coleção. Uma das especialidades é a estante em módulos componíveis com prateleiras rasas e profundas como a premiada Chaix. “Fazemos um produto vendável que não abre mão de um bom desenho”, definem.

MARIA JOSÉ CANÊDO

Mesa Day Off.
O nome diz tudo do trabalho de Maria José Canêdo Sanglard, designer preocupada com o conforto. “A Day Off é uma mesa de jogos, símbolo de um dia à toa”, diz Maria José, que se formou no Rio em design de produto e design gráfico pela PUC. A vontade de ser designer vem da infância. “Desde criança, ficava fascinada com a oficina do meu avô, que fazia bancos e pequenas peças de madeira. Aquele universo me despertou o desejo de fazer objetos”, lembra. Na busca do conforto e do sensorial, ela pesquisa novas maneiras de trabalhar o couro e o tecido em sofás e cadeiras elegantes pela simplicidade de linhas sem excessos decorativos. Junto com o marido, o engenheiro Emanuel Starling Albuquerque, Maria José criou a Fator Design, que funciona desde 1991 criando mobiliário para casa e empresas. Para a designer, a grande revolução ocorrida no mercado foi na década de 1990, com o início da globalização. “A tecnologia ganhou força e passamos do modernismo ao pós-modernismo. A tecnologia proporcionou acesso ao mobiliário e nós redescobrimos nomes como Sergio Rodrigues. Redescobrimos também o design como um produto cultural”

MARCELO LIGIERI

Quando em 1999 Marcelo Ligieri entrou para a Doimo Brasil, a marca era conhecida pelas camas. Hoje, a Doimo é recordista em cadeiras, o objeto preferido de Marcelo. Formado em arquitetura pelo Centro Universitário do Instituto Metodista Izabela Hendrix, em Belo Horizonte, desde os 17 anos já trabalhava com o pai, Glebson Marcos Pereira. No mercado há dez anos, seu material preferido é o metal, que, misturado ao couro, tornou-se o carro-chefe da Doimo. Uma de suas peças, o banco Canoe, foi exposta no Museu da Casa Brasileira. É feita à mão, tem estrutura de metal e, como o próprio nome diz, parece uma canoa. Para Marcelo, o mercado está cada vez mais eclético. “O brasileiro gosta de novidade e o design está se profissionalizando”, garante o designer, que já vendeu 17 mil peças no Brasil e no exterior. Na última coleção da Doimo, a menina dos olhos do designer é a cadeira Luisa, de fibra de vidro. “Apresentamos o modelo em fevereiro na Associação Brasileira de Móveis de Alta Decoração, em São Paulo. Vem em branco, preto, vermelho, dourado e prateado”, diz Marcelo, que exporta sua produção para Estados Unidos, Dubai, Uruguai, Chile, Venezuela e Espanha.

SIMONE GIOVANELLA

Arquiteta formada pela PUC do Rio Grande do Sul e com mestrado em design de interiores e de mobiliário pela Universidade Politécnica da Cataluña, em Barcelona, Simone Giovanella Nonnenmacher gosta de criar peças versáteis, funcionais e em materiais diferenciados. À frente da Signo Móveis com Leandro Collett, Simone acha que a maior revolução no design foi a abertura do mercado, que estimulou o aparecimento de novos nomes. Sua especialidade é trabalhar a madeira de demolição em móveis atemporais, de linhas simples, acima de modismos. Seus ícones: “Oscar Niemeyer, por suas peças em madeira prensada e palhinhas naturais, que viraram materiais característicos de seus móveis, como poltronas, espreguiçadeiras e marquesas. Sergio Rodrigues, pela Poltrona Mole. Alvar Aalto, pela poltrona Modelo 37”. Simone não se rende à nostalgia das décadas e prefere o momento atual, em que a mescla de estilos é totalmente permitida. A arquiteta, que estudou na terra de Gaudí, acredita na inspiração. “Quando ela vem, desenho, não tenho hora nem dia, deixo a criatividade fluir”, conta.

RAFAEL MIRANDA

Aos 29 anos, Rafael Simões Miranda já recebeu o Red Dot, um dos maiores prêmios de design, pelo projeto Trukar, um veículo monovolume de seis lugares com força de caminhão e bastante espaço, capaz de revolucionar a ideia de transporte industrial. Rafael apresentou o seu Trukar como tese de formatura do curso de três anos no Instituto Europeu de Design. Morando desde 2000 em Milão, Rafael nasceu no Rio de Janeiro, em São Conrado. Já desenhou televisões de plasma e câmeras de DVD na sucursal milanesa da Hitachi e, hoje, com o escritório Giorgio Galli Design Lab, cria joias e relógios para a Timex, Versace, Valentino e Ferragamo. Empenhado em mergulhar a fundo no design italiano de móveis, trabalha também com o designer japonês Tomu Katayanagi, autor da famosa cadeira de vidro Ghost. Sua coleção Firenze, com estampa da flor-de-lis da bandeira de Florença, saiu na Architetural Digest. Foi um sucesso no Salão Satellite, para jovens designers, na Feira de Milão de 2007, assim como a linha 101, uma das preferidas de Rafael. “Desenhei à mão cem mesas, cem cadeiras e cem luminárias de nomes famosos e transformei em estampa”